Eu sinto tanto a tua falta. Tanto, mas tanto. E tu nem notas. Tu não entendes que eu preciso de ti. Que eu dependia de ti. Mas tu não entendes isso. Será que alguma vez entendeste isso? Sinceramente, acho que não. Acho que nunca entendeste o quão bonita era a nossa amizade. O quão grande eras no meu coração. Eras, sim eras. E agora, o vale que lá deixaste, ainda é maior. Dói tanto, quando julgarmos que conhecemos alguém, e depois ver-mos que nada daquilo era verdade. Dói tanto, saber que fizemos tudo por alguém, e depois esse alguém não quer saber de nós. Como se nunca tivéssemos tido um papel fundamental na vida deles. E dói, dói muito, saber que vives como se eu nunca tivesse sido importante. E sabes? A dor começa a formar uma ideia na minha mente: nunca, mas mesmo nunca sentiste por mim, o mesmo que eu sentia por ti, nunca, mas mesmo nunca, tiveste tensões de cumprir as tuas promessas, e nunca, mas mesmo nunca, foi importante para ti. Ver nisto, que te tornaste? É tão doloroso. Tu não vês aquilo que és, tu não vês aquilo que mudaste, tu não vês aquilo que não faz sentido em ti. Tu não és assim. Mas sinceramente, eu não tenho mais forças para te fazer ver o que está à tua frente, bem à tua frente. Tu vais entender, acabamos sempre por entender aquilo que precisamos de entender. Só quero que saibas, que eu estive sempre aqui para ti. Que me trocaste por uma vida de mentiras. Talvez sejas mais feliz agora, nem sei se alguma vez te fiz mesmo feliz. Talvez nunca o tenha feito. Nunca foi capaz de te dar o que merecias. Foi isso? Se foi, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa. Mil vezes, desculpa. Mas eu tentei. Eu juro que tentei. Eu juro que me esforcei.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
O mar é fiel 15*
Eu pensava que vê-lo sorrir, era belo, mas vê-lo dormir, é algo ainda
melhor. Acaricio-lhe a cara, levemente, para não o acordar. Sinto a pele macia por debaixo da ponta dos dedos, O peito dele
levanta-se tão suavemente. Quem me dera poder ficar ali, a vê-lo, a tocar-lhe.
Era tão bom. Parece um anjo.
Levanto-me a calço-me, amaldiçoando o facto de ser quinta-feira e de ter
escola. A escola é uma verdadeira seca. Gente sem nada para fazer que não seja meter-se na vida dos outros. E o pior de tudo: são horas preciosas longe dele. Seria muito mau se faltasse hoje? Era só um dia..
Dou-lhe um último beijo, com cuidado, não o quero acordar, é demasiado cedo para isso. Pego na mala e caminho até à porta, cuidadosamente para não fazer barulho.
Dou-lhe um último beijo, com cuidado, não o quero acordar, é demasiado cedo para isso. Pego na mala e caminho até à porta, cuidadosamente para não fazer barulho.
- Lua?
Fogo.
Fogo.
Olho para trás e vejo-o, sentado, com a cara cheia de sono, imenso mesmo.
- Desculpa, acordei-te?
Ele abana a cabeça, em sinal negativo e depois olha-me, com aqueles olhos
sonolentos. Sinto-me a morrer.
- Onde vais? É tão cedo…
- Tenho escola e ainda tenho de passar por casa para ir buscar os livros.
Ele parece desanimado, verdadeiramente desanimado.
- Mas já? É tão cedo - repete.
Vou até à beira dele e sento-me, dando-lhe outro beijo.
- Mas já? É tão cedo - repete.
Vou até à beira dele e sento-me, dando-lhe outro beijo.
- Logo à tarde já me aturas outra vez, certo?
- Mas ainda falta tanto tempo para logo à tarde – ele pega na minha mão
que lhe está a acariciar o peito e beija-a – vou morrer de saudades da minha princesa, entretanto.
Sorrio.
- Da tua princesa?
Ele aproxima-se e sussurra-me ao ouvido:
- Só minha.
Sorrio.
- Da tua princesa?
Ele aproxima-se e sussurra-me ao ouvido:
- Só minha.
Sorrio ainda mais e deito-me em cima dele, obrigando-o a encostar-se.
- Pensa na noite que passámos e as saudades vão logo embora – digo-lhe e ele
sorri-me, aquele sorriso traquina que me faz amá-lo ainda mais.
- Sabes o quão bom é, saber que confias em mim o suficiente para termos tido uma noite assim?
- Porque não haveria de confiar?
Ele encolhe os ombros.
- Não sei..
- Tu não confias em mim?
- Claro que confio!
- E porque? Sabes ainda menos de mim do que eu de ti...
- Mas eu sei que tu não me mentes, eu sei que não.
Ele beija-me.
- Eu também sei que tu não me mentes.
Abraço-o. Sentir o seu corpo junto ao meu, é algo tão bom, mas tão bom.
- Gostaste...?
- Sabes o quão bom é, saber que confias em mim o suficiente para termos tido uma noite assim?
- Porque não haveria de confiar?
Ele encolhe os ombros.
- Não sei..
- Tu não confias em mim?
- Claro que confio!
- E porque? Sabes ainda menos de mim do que eu de ti...
- Mas eu sei que tu não me mentes, eu sei que não.
Ele beija-me.
- Eu também sei que tu não me mentes.
Abraço-o. Sentir o seu corpo junto ao meu, é algo tão bom, mas tão bom.
- Gostaste...?
- Não…
- Não?! – levanta-se tão rápido, que tenho de me agarrar ainda mais ao seu pescoço
para não cair.
Rio-me, e a gargalhada espalha-se pela divisão. Ele parece extremamente alarmado.
Rio-me, e a gargalhada espalha-se pela divisão. Ele parece extremamente alarmado.
- Não – digo, enquanto lhe afasto os caracóis da frente dos olhos. E num
sussurro, acrescento – eu amei.
- Parva, nunca mais faças isso - ele ri-se. Eu amo ouvi-lo rir-se - eu também amei.
E beija-me. Faz-me sentir viva
- Eu amo-te. Sabes disso, não sabes?
- Parva, nunca mais faças isso - ele ri-se. Eu amo ouvi-lo rir-se - eu também amei.
E beija-me. Faz-me sentir viva
- Eu amo-te. Sabes disso, não sabes?
Sorrio e toco com o meu nariz no dele. Como é que alguém pode sentir tamanho sentimento?
- Só se souberes como eu te amo.
Ele não responde. Beija-me de novo e eu entrego-me ao beijo, por completo. Sinto as
mãos dele a subirem-me pelas costas e obrigo-me a afastar os lábios.
- Mas por mais que eu te ame, há uma coisa chamada ‘escola’ e outra
chamada ‘minha mãe’ que me vai matar se eu começar a faltar, por isso… - e dito
isto levanto-me, o que o deixa visivelmente desapontado.
- Vais ter comigo à gruta logo, depois da escola?
- Aparece, e descobres – digo e ele sorri-me.
Pego na mala e saio. Ainda o oiço falar, antes de fechar a porta.
- Até logo!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
O mar é fiel 14*
A casa do Frederico é, sem dúvida alguma, a casa mais estranha em que já
entrei. Nem sei se casa, é o termo correto. Consiste em duas divisões, única e
exclusivamente, casa de banho e depois outra que serve de sala, cozinha e quarto. É o contraste da minha, com todas aquelas divisões e quartos que nem utilidade têm. Por isto, prefiro, instintivamente, a dele.
- Pensei que os rapazes fossem desarrumados – digo, com um sorriso na
voz.
Apesar de pequena, cada coisa tem um sítio e nada está fora do lugar.
Apesar de pequena, cada coisa tem um sítio e nada está fora do lugar.
- Ah Ah Ah, que piada, ainda há rapazes arrumados, sabias?
- Sim, mas tu já não és um rapaz, pois não?
- 19 anos, está mais do que dentro dos limites – diz-me, piscando o olho.
- Ah, claro, claro.
19 anos. 17 anos. 2 anos de diferença. Faz mesmo a diferença?
- Bem, deves querer tomar banho, não?
- Vai tu primeiro, estás em pior estado que eu.
- Não, não, senhoras primeiro - e faz uma vénia.
- Sempre muito cavalheiro.
Ele ri-se. Ultimamente, ele ria-se muito. Eu adoro isso. Vê-lo feliz.
- Sabes? Eu tenho um problema.. - digo.
- Qual?
- Vai tu primeiro, estás em pior estado que eu.
- Não, não, senhoras primeiro - e faz uma vénia.
- Sempre muito cavalheiro.
Ele ri-se. Ultimamente, ele ria-se muito. Eu adoro isso. Vê-lo feliz.
- Sabes? Eu tenho um problema.. - digo.
- Qual?
- Visto o quê? Não tenho roupa..
Pouso a mala na cama dele. É grande, de casal.
Pouso a mala na cama dele. É grande, de casal.
- Eu arranjo-te qualquer coisa, espera só um bocadinho – e dito isto,
vira-me as costas e entra numa porta que eu nem dei conta que existia. Continuo a observar aquele espaço, tão diferente. Há uma cama, mais ou menos a meio. Em frente há um pequeno móvel com uma televisão daquelas antigas. Num dos lados, é a 'cozinha'. No outro, há armários e estantes.
Passado um bocado, ele regressa e mete-me uma camisola, calças e roupa interior de rapariga. Olho para ele, com a pergunta na ponta da língua mas ele apressa-se a desculpar-se.
Passado um bocado, ele regressa e mete-me uma camisola, calças e roupa interior de rapariga. Olho para ele, com a pergunta na ponta da língua mas ele apressa-se a desculpar-se.
- Não é meu! Quer dizer, óbvio que não é meu, mas também não é de nenhuma
amiga minha, era da filha do dono disto. Ela esqueceu-se cá.
- Claro…
- Eu não nunca fui rapaz dessas coisas oh - sorri-me e encaminha-me para a casa de banho.
- Eu não nunca fui rapaz dessas coisas oh - sorri-me e encaminha-me para a casa de banho.
- Pronto – diz, ao tirar uma toalha de um móvel branco – está aqui, está à vontade sim?
Fica. Fica nada,
estás parva? Por favor.
- Está bem, obrigada – digo e sorrio.
Pega-lhe na mão, diz-lhe para ficar. Ele quer isto, tanto quanto tu.
Pega-lhe na mão, diz-lhe para ficar. Ele quer isto, tanto quanto tu.
- Bem, até já.
Agora!
Agarro-lhe levemente na mão, o que o faz parar. O meu coração dispara. Será que ele o ouve? Que estou a fazer? O que queres, o que precisas. Mas é correto? Claro que sim.
Não sei se ele me ouve, ou compreende. Só sei que ele se vira para mim, devagar. Sinto-o a agarrar-me na cintura e a puxar-me para ele. As minhas mão, agarram-lhe o pescoço. Ponho-me em bicos de pés, e chego os meus lábios aos dele. Ao inicio, tenho medo. Eu e ele. Sinto-o no seu toque. Mas depois, perde-mo-lo. Ele encosta-me ainda mais a si. Nunca senti nada assim. As borboletas no meu estômago imploram por mais.
Agora!
Agarro-lhe levemente na mão, o que o faz parar. O meu coração dispara. Será que ele o ouve? Que estou a fazer? O que queres, o que precisas. Mas é correto? Claro que sim.
Não sei se ele me ouve, ou compreende. Só sei que ele se vira para mim, devagar. Sinto-o a agarrar-me na cintura e a puxar-me para ele. As minhas mão, agarram-lhe o pescoço. Ponho-me em bicos de pés, e chego os meus lábios aos dele. Ao inicio, tenho medo. Eu e ele. Sinto-o no seu toque. Mas depois, perde-mo-lo. Ele encosta-me ainda mais a si. Nunca senti nada assim. As borboletas no meu estômago imploram por mais.
- Queres que fique? - diz, ao afastar os lábios.
- Quero - a respiração está tão irregular, que quase me atropelo nas
palavras.
Ele sorri. É lindo vê-lo sorrir. Ele beija-me outra vez. Sinto-lhe as mão a tirarem-me a camisola. E depois eu tiro-lhe a dele. Vejo-lhe os
abdominais, tão perfeitos. Acaricio-os, sentindo o coração dele a bater descontroladamente no peito e depois, beijo-os: a pele por debaixo dos meus lábios arde. Ele beija-me, o
pescoço, os ombros, os braços. A minha pela ferve, ao toque dele. Sinto-me mais
viva do que nunca, como se aquele fogo jamais se extinguisse. Como se aquele
momento fosse eterno.
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